Estamos nos aproximando do natal e, neste período, observamos uma grande movimentação por parte das pessoas. Algumas buscam por presentes, outras preparam festas e ceias, outras ainda, movimentam-se em campanhas de auxílio às pessoas mais carentes... Este, porém, é ao nosso ver, um período essencialmente de meditação, de busca de uma compreensão mais profunda do sentido da vida. Isto porque, não podemos nos esquecer, comemoramos a vinda do espírito mais evoluído que já tocou o solo do nosso planeta, o Cristo de Deus.
Não queremos ser piegas ou colocarmo-nos em posição de falsa superioridade para analisarmos as atividades comumente desenvolvidas neste período pelo comum das pessoas, mesmo porque também estamos ínsitos neste contexto. Aqui apenas convidamos aos caros leitores a uma análise o mais isenta possível das ocorrências típicas desse período.
Compreendendo a nossa necessidade humana de fazermos aquilo que julgamos importante para nós, procuremos analisar alguns aspectos psicológicos relevantes, os quais assediam o imo de nosso ser com maior intensidade neste período. Um fato psicológico observável no período de natal é a atitude de algumas pessoas, as quais lamentam-se por terem "perdido" um parente muito amado, um amigo ou algum conhecido próximo e, lastimam-se por não os ter "presentes" para vivenciarem juntos estes momentos de alegria e de comemoração. Esta é uma situação que causa uma certa melancolia, que estabelece uma nota de tristeza em uma época que deveria ser de alegria, alguns chegam mesmo a declarar que o natal perdeu o significado, que só trás tristeza e dor aos seus corações. A um olhar superficial, esta ocorrência parece "normal" e justificável em vista da situação que a provocou, no entanto, se procurarmos aprofundar o escopo de nossas investigações à luz da psicologia profunda e utilizando-nos do conhecimento espírita, perceberemos que outras motivações atuam no psiquismo de tais pessoas levando-as à tristeza neste período.
Para uma melhor compreensão do objeto de nossas análises, façamos uma analogia entre o período de carnaval e o natal. No carnaval, as pessoas afeiçoadas a esta festa estão sempre felizes e bem dispostas, quando reclamam é do cansaço e do desgaste provocados pelas noitadas de folia. Nesta época esquecem-se as tristezas e a alegria parece invadir os corações dos foliões. Ninguém lastima-se por alguém que já partiu para os outros planos de vida ou entristece-se por isso. Dir-se-á que é por causa da natureza da festa. O natal vive-se em família e o carnaval comemora-se fora de casa entre amigos que também gostam desta festa. Porém, isto não muda muita coisa, pois, no período de carnaval também deveríamos sentir a falta das pessoas amadas. No entanto, concordamos que a diferença reside na natureza das comemorações, as quais têm significados diferentes. O natal, por relembrar-nos os ensinamentos de Jesus, remete-nos ao íntimo de nós mesmos, faz com que voltemos nossa atenção para nós mesmos, lembra-nos intuitivamente os compromissos assumidos perante Deus e nós mesmos antes de nossa reencarnação. O natal é um período eminente de espiritualização e, por isso mesmo, faz com que inconscientemente, façamos um balanço de nossa situação espiritual, de nossos esforços para avançar, de nossa luta por moralizamo-nos. O carnaval é historicamente uma festa de liberação dos instintos inferiores; buscamos realizar nossos "sonhos" reprimidos pelas disciplinas do cotidiano neste período de festas carnavalescas. Neste período do reinado de momo, as paixões inferiores extravasam-se de nossas almas rumo a atitudes exteriores desprovidas de dignidade, de espiritualidade. Devido à energia psíquica contida nas paixões inferiores que ainda imperam em nossas almas em evolução e que provêm dos instintos básicos, somos totalmente envolvidos pelas circunstâncias desta festa carnal, o que nos tolda os sentimentos mais evoluídos, os quais ainda não desenvolveram-se o suficiente para opor resistências a situação então vigente.
Neste contexto, sem sabermos explicar conscientemente o motivo de nossas tristezas no período natalino, buscamos o motivo em lugares outros, os quais não são capazes, como vimos, de darem encaminhamento lógico adequado ao nosso quadro psicológico. Muitas vezes, para fugirmos da melancolia buscamos fugir fazendo compras, presenteando, enfeitando nossos lares... Para os mais amadurecidos o caminho natural que se apresenta é o da caridade, da prática do bem, da distribuição do necessário a quem não tem nada, do esforço para a melhoria moral.
Se o natal reveste-se de uma "cobrança" espiritual que tende a deixar-nos tristes e melancólicos, por que então ainda insistimos em sua comemoração? Isto se dá porque no imo de nosso ser sabemos que o natal significa a nossa redenção espiritual; a vinda de Jesus à Terra reveste-se de um significado cósmico único, o qual encontra-se inscrito em nosso íntimo com letras indeléveis. Nenhuma situação de satisfação inferior e passageira pode apagar esta mensagem que está presente na intimidade de cada um de nós, filhos de Deus. O natal é a nossa grande esperança de nos libertarmos definitivamente de nossas misérias morais e materiais para sempre e conseqüentemente é o ideal, que um dia todos alcançaremos de assumirmos o lugar que nos pertence por direito de herdeiros de Deus.






















