O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, tem tudo que é necessário para que, uma vez entendido e vivido, conduza o indivíduo humano ao Reino dos Céus*. A afirmação não causaria qualquer estranhamento se não viesse de um boletim da Igreja Católica, nos tempos do codificador, e assinada pelo Abade Leçanu, encarregado da análise da obra, em nome do Santo Ofício.
É que nessa época, qualquer publicação literária deveria passar pelo crivo da Igreja, que a marcaria com o selo “Nil Obstat”, nada a obstar, ou a incluiria no “Index Proibitorium”, lista de obras proibidas. Tal fato é surpreendente, num período em que a Santa Inquisição ainda vigorava sobre a Europa.
O Livro dos Espíritos seguiu todos os trâmites legais, seus originais, enviados à avaliação clerical, foram aprovados plenamente na França. Na atualidade, em que a corrupção, a perversão das leis, é tão discutida e, infelizmente, praticada, o exemplo de Kardec nos convoca à necessária confiança em Deus, que deve se traduzir na conduta reta seja onde seja.
Diante das disposições humanas, inda que precárias, saibamos conduzir nossos passos em alinho às leis, humanas e dvinas, certos de que o bem se manifesta invariavelmente na senda daqueles que cultivam o dever por roteiro santificante da vida. E conforme afirmam os Espíritos Luz: O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.
O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a Humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.”**
* THIESEN, F.; WANTUIL, Z. Allan Kardec: O Educador e o Codificador, Ed. FEB
** KARDEC, Allan. Evangelho Seg. Espiritismo — cap XVII, item 7 - Dever






















