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Evolução e Som

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Evolução do Som

Ao analisarmos o caminho evolutivo do espírito podemos ter uma visão de suas “opções” nas mais diversas áreas durante os séculos. Há bem pouco tempo o homem era até mesmo desprovido desse direito, o de opção. Deveria seguir os padrões de sua tribo, seu grupo sob pena de ser morto ou banido, caso deles se afastasse.

Já na atualidade, observamos alguns processos de escolha. Como exemplo, citamos o homem do século passado que não fazia sequer opção sobre sua alimentação. A idéia de um cuidado alimentar era vaga e pouco explorada.

À proporção que a ciência foi apontando alternativas, o homem começou a dar atenção à seleção alimentar. Encontramos muitos irmãos que até conseguem seguir as orientações de Irmão X:

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros[1].

Após esta ilustração, ressaltamos que a humanidade terrestre se alinha para a “regeneração”. Nesses mundos a inveja, o ódio, o egoísmo e as paixões desordenadas dão lugar ao sentimento amor; neles já se pode encontrar a eqüidade regulando as relações sociais; a figura de Deus, revelada a todos que, então, seguiremos com alegria suas leis. No mundo de Regeneração estaremos estagiando para a felicidade, com um vôo mais estável, praticando a caridade e o amor com esmero[2].

Assim, não devemos permitir que questão alguma escape diante da transição que já se efetua. O som de nossas vidas carece de afinação com o mundo que em breve habitaremos.

Desde os mais inobserváveis atos podemos cuidar da afinação de nossas almas com o “tom” da Regeneração. Depende, como todo benefício que propomos à nossa evolução, do exercício diário, da observação continuada e da perseverança. É a mudança de paradigmas que deve alavancar inicialmente o processo, pois não temos que ouvir o que o outro ouve, não precisamos permanecer expostos a este ou aquele som por uma convenção ou comodismo.

Diante dos inegáveis efeitos produzidos pelo som, pela música, registramos a fala de Aguiar: La Musicoterapia como movilización psíquica de la emoción del sentimiento promueve la experiencia humana, conduciendo a la auto-organización. Es la música trayendo informaciones a través de las letras, relajando, enseñando y distrayendo. E prossegue arrematando de forma segura: (...) Pero la fuerza de la música está mucho más en nosotros y no solamente en los sonidos. Lo que precisamos es de espacios para exteriorizar toda esa energía[3].

Como se sabe, o paradigma é uma reunião de regras e orientações que procura traçar e definir o comportamento e a maneira de se resolver questões dentro de limites definidos, visando obter êxito. Segundo Yus[4], ele condiciona nossa “visão de mundo”, a perspectiva com a qual abordamos os temas e nos relacionamos com o exterior. Se não atende mais às nossas expectativas, é o instante pelo qual passará inevitavelmente por uma transição.

Pode-se afirmar que há mudança de paradigma quando a cultura, em seus diferentes ângulos, apresenta discussões diferenciadas das vigentes. É, portanto, uma demonstração de deficiência ou de desejo de alteração de padrões.

Há atualmente um sem número de apelos para mudanças em todas as áreas e o homem já se percebe como instrumento dessas transformações. O pensar a música diante dessa discussão e nessa perspectiva, isto é, como instrumento de apoio irrestrito ao novo paradigma, ao novo homem e sua nova visão de mundo é o desejável e, até onde cremos, irrevogável.

 


[1] XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e Crônicas. Pelo espírito Humberto de Campos. Rio de Janeiro: FEB, 1966.[2] Vide KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1944, cap. III, i. 16 a 18. [3] AGUIAR, Ritamaria, NINSENBAUM, Esther. Musicoterapia: Superando Fronteiras. Rio de Janeiro: CC&P, 1999, p. 16 e 17. (versão apenas em espanhol).[4] YUS, Rafael. Educação Integral: uma educação holística para o século XXI. Porto Alegre: Artmed, 2002, p. 26.