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Um Roqueiro no Além | Livro Espírita
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TÓPICO: Um Roqueiro no Além | Livro Espírita
#12
Um Roqueiro no Além | Livro Espírita 4 Anos, 1 Mês atrás Popularidade: 0


(O mundo só é uma droga, para quem se droga no mundo)

“É certo que os vivos nascem dos mortos e os mortos tornam a nascer”. (Platão)

1o. Capítulo – Na sepultura
A minha morte foi como um pesadelo; senti um profundo torpor e perdi os sentidos. Depois de algum tempo, recobrei a consciência; parecia estar bem, até que percebi que algumas pessoas estavam colocando-me dentro de um caixão. Tentei reagiram mas não consegui mexer-me; gritei dizendo estar vivo, mas ninguém me ouviu. Quando fecharam o caixão, dei murros na tampa tentando abri-la, mas meu esforço era em vão; perdi os sentidos.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado; quando dei por mim novamente, senti que me colocaram em um veiculo e viajamos por algum tempo. Os solavancos do carro enjoaram-me; comecei a passar mal; não tinha espaço para vomitar e nem para me mexer; sentia-me sufocado. Quando o carro parou escutei gritarem o meu nome seguido de muito pranto. Pelo movimento, percebi que ali deveria ser o local do velório. Tiraram o caixão do carro e, quando menos eu esperava, abriram a tampa. Senti um grande alívio! Tente levantar-me , mas não consegui. Muita gente debruçou sobre mim para chorar.
O que eu poderia fazer ?

Já havia tentado de tudo para sair dali. A única explicação que eu encontrava para aquele fato , é que eu estava realmente morto e o meu espírito preso a meu corpo e já começava a cheirar mal.

Diante da minha impotência, tive que aceitar aquela situação. Observei cada pessoa que passavam por mim. Olhavam-me piedosamente e lamentavam pela minha morte. Quase todos que passaram por aquele desfile de lágrimas e de hipocrisia diziam a mesma coisa:

- Que pena. Tão jovem!
Outros cochichavam:
- Foram as drogas que os destruíram.
-Depois de alguém tempo, fecharam o caixão e puseram-me novamente em um carro; Fiquei tonto, comecei a passar mal; por alguns momentos, eu ia morrer de verdade. Mas acabei apenas desmaiando.

Quando voltei a mim, não sei quanto tempo depois, escutei algumas pessoas conversando. Pelo que elas falavam, deduzi que estavam levando-me para o cemitério; quase me desesperei. Senti um medo terrível, principalmente quando percebi que estavam SEPULTANDO-ME. Não cheguei a entrar em pânico, mas rezei todas as orações que eu havia aprendido e isso, de certa forma, acalmou.

Lembrei-me da minha vida desde quando era criança. Revi todo meu passado, era como se eu estivesse assistindo à projeção. A partir dai, naquela solidão profunda, comecei a julgar minhas atitudes. Fui um combatente! Lutei contra um sistema que eu não aceitava e que me causava revolta. Entretanto, acabei vítima de mim mesmo e não do sistema que eu condenava.

Sem perceber, havia optado pela fuga, a mesma fuga que me havia fascinado em outros momentos da minha vida. O sofrimento por que eu estava passando era característico dos suicidas. Era assim mesmo que eu me sentia, um suicida. Levado pela revolta, percorri o caminho das drogas até encontrar a morte. Embora o mundo me aborrecesse, eu deveria ter continuado no bom combate.

Na verdade, fui um equivocado, apontei tudo que eu achava que estava errado, mas não soube indicar o certo. Minhas intenções eram boas, mas minhas atitudes eram contraditórias. Em vez de atacar e ferir o sistema, eu deveria Ter contribuído para transformá-lo. Não corri atrás do ouro dos tolos, mas, na cama de meu apartamento, fiquei com a boca aberta esperando a morte chegar. Ela chegou antecipada! Veio convidada pela minha insensatez. Em vez de repousar em seus braços, ela agora fazia arder minha consciência. No auge da minha angustia, eu questionava:

-Quanto tempo terei que ficar nesta situação ? Ficarei aqui até o dia do trem passar ? Será que vou ? ou será que fico ?
Eu consolava a mim mesmo:
-Não importa! Se vou, livro-me deste mundo equivocado. Se fico, tento outra vez.
Diante das dúvidas que povoaram minha mente, eu afirmava:
-Tenho certeza de que a vida é eterna! Este é apenas um momento como outro qualquer. Vai passar , como tudo passou.

Essas auto-afirmações confortavam-me. Constantemente, eu buscava encontrar as vantagens que aquela situação me proporcionava. Então, eu dizia:
-Pelo menos aqui não ouço os noticiários infames! Não posso beber nem me drogar.

Naquele momento, eu percebi que havia esquecido o vício! Sentia-me de certa forma reconfortado, pelo menos aquela situação proporcionava-me um bem verdadeiro. O tempo foi passando…

Vez ou outra, alguém vinha depositar flores sobre meu túmulo; elas pareciam ajudar-me; Eu sentia o perfume delas amenizando o cheiro dos ossos que restaram no meu corpo. Lembrei-me de que um dia eu e um amigo tentamos nos comunicar com as plantas. Talvez, pela importância que demos a elas naquele dia, agora vinham retribuir-me, socorrendo-me com delicioso perfume.

Eu escutava tudo o que se passava no cemitério. Ouvi muitos gritos de desespero. Muitas vezes adormeci, mas os pesadelos faziam-me acordar assustado. Sonhei várias vezes que estava junto à família. Desesperado, tentava falar que estava vivo, mas ninguém me ouvia.

Entre sonhos e pesadelos, continuei preso àquele ataúde que se transformara em minha casa. Eu perguntava a mim mesmo:

-Seria esta a minha derradeira morada: Jamais sairia daqui.
Logo em seguida, respondia-me a mim mesmo cheio de convicção:
-Não. Tenho certeza de que não! Eu não acredito nas penas eternas. Logo estarei fora daqui.

Não sei se era intuição , mas eu tinha realmente a certeza de que, em determinado momento, eu sairia dali. Tentei levantar-me algumas vezes, mas ainda estava preso àquela situação.




Roqueiro famoso, surpreendido pela morte prematura causada pelo uso abusivo de álcool e de drogas, se vê diante de uma realidade que jamais imaginara.

Propagador da liberdade incondicional, por estranha ironia, submetido à lei de causa e efeito, se viu preso a sepultura durante longo período. Mais tarde, livre dessa situação, percorreu os vales de sofrimentos até alcançar o equilíbrio. Amparado pelos benfeitores, conheceu no mundo espiritual, diversas situações em que se encontram espíritos ainda apagados aos prazeres da Terra.

Seus depoimentos, com certeza, servirão de alerta para muitos pais, cujos filhos são órfãos de carinho e compreensão. E servirão também, aos jovens que ainda acham que a vida é uma eterna brincadeira.


Autor Espiritual: Zílio
Médium: Nelson Moraes
Gênero: Romance Vida Espiritual
Editora: Aulus
Número de Páginas: 104



Interessante o livro, já li, e conforme relatos, é o espírito do Raul Seixas.



Rone
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